Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

DESAFIO EM CADEIA - continuação

 

 

 

DESAFIO EM CADEIA ROUND 4 

SIMPLICIDADE

 

Há dias assim... que nos dão sorrisos... que nos deixam a pairar nas nuvens... que nos trazem felicidade, mesmo nas mais pequenas coisas.

Foi assim no Domingo passado.

Não escondo o quanto fiquei satisfeita por ter sido a destacada neste round 4 do Desafio em Cadeia.

Não tenho qualquer dúvida que pelas mãos (palavras) da Libel, recebi um lindo presente de Natal e ás vezes apenas precisamos que uma coisa simples nos aconteça para nos voltarmos a lembrar que a vida é preenchida de pequenos grandes nadas que nos alimentam a boa disposição e nos fazem caminhar bem em frente.

 

Tenho acompanhado desde o round 2 este Desafio e tem-me dado prazer ler os textos lindos que de cada um têm surgido. Também tem sido gratificante ver como a cada round, novos elos se têm entrelaçado nesta cadeia e assistir ao cimentar da amizade que através deles tem passado.

Apesar do incentivo da Libel não me sentia com muita coragem para participar e levei dias com reticências, até que pensei – Raios! Não és mulher não és nada...!

Foi sem tirar nem pôr esta a expressão que me veio ao pensamento e me levou a ousar juntar-me a este lindo desafio.

 

Creio que aqui somos todos apenas participantes e que o destaque apesar de nos deixar naturalmente felizes é mais um meio de fazer com que ele não se quebre na responsabilidade de o fazer continuar e crescer. De incentivar a que mais elos se encadeiem naquele que de propósito fica aberto para que os novos se possam juntar. Venha mais um... venham muitos... venham todos que vierem por bem... tragam o vosso sentir e entrem dispostos a oferecer amizade e generosidade.

 

Quero daqui deixar um abraço especial a todos os participantes deste round 4, mesmo áqueles que não conheço, dizer-vos que muito prazer me dará encontrar-vos a todos no próximo e que conto convosco para dar brilho, luz e cor á minha nova tarefa.

Dar-lhe-ei toda a minha atenção, toda a minha vontade de fazer o meu melhor. Assim me ajude o engenho e a arte.

 

aqui encontramos

Tangerina.... sumarenta, desculpa a familiaridade, mas é assim que te vejo chamarem lá na esplanada, que em seu belo poema, fez dela o seu grito de amor ao mundo a quem chamou de seu namorado

Sindarin   que fez da simplicidade uma coisa especial e a integrou na grandiosidade da capacidade de mudar as coisas

Lovenox  inovador na escolha dos seus temas e no modo como os coloca levando-nos á interacção que em seu conto nos mostra que mesmo na abundância nos devemos lembrar e guardar a grandeza dos princípios simples que nos ensinaram as bases

Green.Eyes que em  boa verdade a chamou de complexa sim... de tão simples que é, por vezes nem a notamos e tornamo-la complicada

Entremares que por cada letra compõe um hino á ansiedade de quem espera pelo paraíso de um simples e desejado reencontro

  e aqui encontramos

Manu (sabes que tenho passeado pelo teu cantinho?) que nos deixa um diálogo com o confuso em que cora e se sente envergonhada por não entender, mas que encantada, a eterniza nos momentos mais simples

 a Regina D`Ávila que na agonia e no desespero de uma dor sem limites, encontra, após um desfecho bem sucedido, a paz e a tranquilidade na mudança para um modo de vida simples, sem ostentações

e eu que descrevo as minhas lembranças vistas com os meus olhos de criança

 

 

Foi assim que eu vi e interpretei a beleza dos textos.

Mafalda 2 de Dezembro de 2009

(foto da net) 

 

 

A aldeia da minha mãe

 

Lá na aldeia da minha mãe, um lugar pequeno escondido bem lá no fundo dum vale, entre as altas montanhas da bela serra da Lousã, tudo era verdadeiro, genuíno. Corria um rio de águas transparentes e brilhantes sob os raios do sol e no seu caminhar cantarolavam uma melodia para quem a conseguia escutar. Numa das margens, parecia de propósito, formavam uma represa onde as mulheres vinham lavar a roupa. Depois aproveitando a erva verdejante estendiam-na bem direitinha a secar. As casas eram feitas de lousa ou ardósia o que as pintava de preto. Os quartos eram pequenos onde quase só cabia a cama e um lavatório de ferro. Os espaços maiores eram ocupados pela casa de jantar e a cozinha. Nesta havia uma lareira no chão e do tecto pendia uma corrente. Nela se penduravam as panelas de ferro preto com três pés pontiagudos. A um canto da cozinha num móvel de madeira escura e robusta havia dois cântaros de barro semideitados e inclinando-os um pouco deles se retirava a água para beber e cozinhar. A água havia que ir buscá-la ao chafariz que ficava no largo da aldeia. Em cada divisão da casa havia uma janela normalmente de formato quadrado que se abria em duas partes para o lado de fora da casa. Na parte inferior das casas existia uma única divisão ampla a que chamavam de lojas e aqui era onde se faziam os queijos com o leite de ovelha e de cabra e onde ficavam expostos a secar. Guardavam-se também os cereais, as frutas e tudo o que das hortinhas se colhia. Também a carne de porco salgada ou conservada em banha. Mas para mim, o mais espectacular das casas era um simples forno a lenha, de forma arredondada, construído na parte exterior onde se cozia a broa de milho ou de mistura e na altura das festas da aldeia o pãozinho doce e o pão-de-ló. O cabrito com aquelas deliciosas batatinhas... meu Deus do Céu! Nestes dias, o povo juntava-se no Largo da Eira e as moçoilas e os rapazes dançavam e cantavam ao som de uma concertina e entre olhares trocados, namoravam.

As ruas eram inclinadas porque de plana a aldeia nada tinha e revestidas pela mesma pedra das casas. Existia uma única loja a que chamavam de Tenda e desde as mercearias, passando pelas roupas, os remédios até o serviço de correios e acabando na tradicional taverna, tudo e todo o tipo de comércio passava por ali. Ponto de encontro dos homens que ao Domingo após o serviço religioso se juntavam jogando á  bisca e ao dominó. O único telefone que existia na aldeia ali estava também ao serviço da comunidade. Se era preciso chamar o médico, era ali que havia que recorrer. Os carros de bois eram o único meio de transporte para pessoas e géneros, mesmo quando era necessário uma deslocação á vila mais próxima. O acesso á aldeia, da estrada alcatroada que passava bem no alto da serra, era feito por um único caminho de terra e pedras com uma inclinação bem acentuada que chamavam de Lomba e raros eram os carros que se aventuravam a desce-la, sendo quase certo que na subida a ajuda do carro de bois se tornava imprescindível. Á noite escutava-se o silêncio e sob o tecto daquele céu imenso, povoado de mil luzes, o luar era  limpo e brilhante. E adormecia-se olhando pela janela contando as estrelas que lá no alto pareciam sorrir-nos. De manhãzinha ao acordar cheirava a café e a mel. Abriam-se as janelas de par em par e nos campos, pequenos brilhantes luziam nas gotas de orvalho. Cresciam as flores silvestres, o malmequer amarelo, a dedaleira roxa, a urze, o tojo, a papoila rubra, o alecrim. E o campo era uma paleta de cores, qual tela de um pintor desenhando pinceladas. Os cheiros misturavam-se e exalavam no ar. E os pássaros brindavam-nos numa sinfonia de cantos. Um pouco mais ao longe o som dos badalos dos rebanhos na pastorícia. Paisagem, cheiros e sons, uma combinação simples e perfeita.

A população era pequena mas sentia-se um espírito de união, de entreajuda, de dignidade.

Na serra, lá mesmo na floresta viviam lobos, raposas, gatos bravos e aves de rapina.

Era assim a aldeia da minha mãe. Um lugar bucólico, cheio de uma simplicidade de vida, de simplicidade na sua beleza natural, de simplicidade nas suas gentes.

E eu, criança da cidade, tudo me admirava e tudo absorvia. Foi talvez lá que nasceu este meu encanto pela natureza.

E foi assim que ela me ensinou e eu aprendi, que simplicidade é sinónimo de pureza. Que a simplicidade  é um bem a preservar. Nada tem maior simplicidade que a simples natureza, mas ao contemplá-la, ao escutá-la os nossos sentidos sentem-na grandiosa. Há simplicidade no beijo que todos os dias se dá aos filhos, no entanto ele é de um amor intenso. Então a simplicidade é imensa. Simplicidade existe num sorriso, num gesto de carinho, na verdade das  palavras, no arrependimento de actos irreflectidos, no assumir perante o mundo os erros, na felicidade de sentir o cheiro de uma flor, no estender a mão e apanhar uma gota de chuva, no deixar que um raio de sol nos conforte, no fechar os olhos e sentir a música cá dentro.

 

Simplicidade é esgotar todos os pequenos nadas bons da vida.

Numa palavra, simplicidade é um dom.

 

Mafalda, 24 de Novembro de 2009


publicado por mafalda-momentos às 11:34
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17 comentários:
De Sindarin a 4 de Dezembro de 2009 às 15:03
Nos meus cantinhos sente-te em casa. Bjsz5yd2kt


De mafalda-momentos a 4 de Dezembro de 2009 às 18:36
Olá Sindarim
obrigada pelo teu bom acolhimento.
vou sentir com certeza e quanto ao teu comentário anterior, não tenhas dúvida minha amiga que somos uma fortaleza e nem sei quem é que inventou essa dos homens serem o sexo forte. Bem também estou a brincar um bocadinho. Todos nós temos coisas positivas.
Falando um bocadinho em "calão" é preciso é tocar a bola para a frente.
Um beijinho para ti Sindarim


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