Terça-feira, 9 de Novembro de 2010

Burro Mirandês

http://fotos.sapo.pt/qQSfELyjDnHnQhEcbZsr?a=4

Autor da foto - ratu

 

 

 

Assisti na passada semana a uma reportagem televisiva, transmitida por um dos nossos canais, que visava alguns aspectos da vida hoje e como sob formas diversas, algumas pessoas, começam a preferir outros meios de vida, trocando o cansaço das grandes cidades pelo sossego de lugarejos espalhados pelo interior do país, em alguns casos embora quase desertificados, constituindo verdadeiras pérolas do nosso património genuíno e ancestral.

Foi o caso da aldeia de Atenor – Miranda do Douro que viu com algum espanto, talvez até certa desconfiança, um grupo de jovens que alegremente e decididos entraram pela aldeia e se estabeleceram na determinação de estudarem, cuidarem e preservarem uma espécie quase em vias de extinção – O Burro de Miranda.

Hoje, ali estabelecidos há cerca de 10 anos, contam já com bons resultados e com a boa aceitação das gentes da aldeia.

Diz o povo que quando a esmola é grande, o pobre desconfia (neste período do país tão conturbado, bem entendemos o significado destas palavras), mas quando as intenções são boas, mais tarde ou mais cedo, elas são aceites e até procuradas.

Deixo-vos o vídeo que recolhi da net para que possam saber pormenores do que aqui falo na generalidade.

Recordo, eu que sou saloia pois nasci como se dizia, fora de portas, mais concretamente em Algés, de nesse tempo haver muitos burros… e refiro-me como é evidente à espécie animal irracional.

 

Eles foram sempre um precioso auxiliar nas tarefas “domésticas”, quer na agricultura, quer no transporte de mercadorias – daí com certeza a expressão do burro de carga.

Elas eram transportadas nos alforges que lhes eram colocados, ou em carroças que os animais puxavam e faziam mover.

Era por exemplo, um animal que qualquer família de raça Cigana possuía e utilizava para as suas deslocações, uma vez que pela sua cultura nómada, frequentemente se deslocavam, ou mesmo, porque sendo uma raça de características laborais, comerciantes, andavam de feira em feira, como aliás ainda hoje é muito o seu modo de vida.

Poder-se-á dizer que o burro era, além de um animal de trabalho, também um animal que se tornava quase parte das famílias, como o é hoje um cão.

Felizmente, há pessoas assim, como aquele grupo de jovens que em boa hora, trocaram os prazeres da cidade, pela simplicidade de uma aldeia para com gosto se entregarem a uma boa causa.

 

____________________________________________________________________________

 

Arre burrinho

Vai o burrito andando

Caminho de terra batida

Leva os alforges cheios

Pão, azeitonas e vinho.

Vai carregado o burrito.

Segue-o a criança descalça

Olhos redondos vivos

Rosto de pele rosada

Cabelos cor de seara.

Segura na mão a varinha

Rasga com ela o ar

Com sua graça e destreza

E ouve-o assobiar.

Arre burrinho amigo

Que temos de ir e voltar

Antes que o sol aqueça

Sem fonte pra  refrescar.

Seguem os dois lado a lado

Seus passos cadenciados

Olhos postos na frente

Esperança de o fim alcançar.

Lá longe o trilho acaba

Na casa senhorial

O jardim ornamentado

Baloiços, risos se ouvindo.

Entram pelo portão dos fundos

O burrito e a criança

Do jardim bem separados

Pela cerca de madeira.

Usando de todas as forças

Pega a criança os alforges

E entrando na cozinha

Entrega a mercadoria.

Agarra o copo de leite

Que a mão comprida segura

Bebe-o de uma golada

Limpa a boca na camisa.

Recolhe as escassas moedas

Que a mesma mão lhe estende

E ouve a voz que lhe diz

Tem cuidado não as percas.

Volta de novo à rua

Leva o burrito ao poço

Da mesma água que bebem

Molha a cara e o pescoço.

Monta o burrito a criança

Os pés já lhe estão doridos

Que como que ensinado

Faz-se depressa ao caminho.

Vai mais leve o burrito

Que a criança pouco pesa

Vão vazios os alforges

E os bolsos quase também.

Numa vózinha sumida

De anjo de coro de igreja

Diz a criança sorrindo

Arre burrinho amigo

O sol ardente já queima.

 

 

Mafalda, 2 de Janeiro de 2010

 

 


publicado por mafalda-momentos às 11:37
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