Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011

MARIA LISBOA - DAVID MOURÃO FERREIRA

Atravessei a Ponte 25 de Abril (nunca entendi porque mudam o nome de baptismo às coisas), dei uma olhadela pela vista da minha linda cidade que dela se pode apreciar, meti-me na A5 e saí para Linda-a-Velha.

Património da Câmara Municipal de Oeiras existe aí um palácio chamado de Palácio dos Arciprestes, pertencente à Fundação Marquês de Pombal, sendo na actualidade um espaço cultural do município.

 

 

É neste lugar, gentilmente posto à disposição pelo seu presidente, que os Jograis Nova Atena, coordenados por Elisabete Castel-Branco, da Nova Atena – Associação para a inclusão e bem-estar da pessoa sénior pela cultura e arte de Linda-a-Velha (na prática uma universidade sénior com outro estatuto), fazem regularmente as suas apresentações, sendo as mesmas sempre subordinadas a um tema e por conseguinte com uma natural sequência de poesias.

E naturalmente também, os elementos dos Jograis Nova Atena são alunos daquela instituição.

                                             

 Ontem, dia 24 de Fevereiro a sessão dos jograis foi dedicada a David Mourão Ferreira e à sua obra. Dia escolhido por ser a data do nascimento do escritor.

 

Conforme lhes é possível, este grupo procura abrilhantar as suas apresentações com outras artes como a música, onde por vezes se fazem acompanhar de peças ao piano, outras de guitarra e sempre ilustradas por quadros alusivos ao tema, pintados por um dos seus elementos.

E assim, ontem igualmente a sua apresentação foi destacada com a presença da Professora Doutora Teresa Martins Marques, licenciada em Filologia Românica e mestrado em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea.

Foi aluna na faculdade do professor David Mourão Ferreira de quem se tornou uma estudiosa da sua arte e após a sua morte, foi convidada a efectuar o levantamento e o estudo do espólio literário do escritor, sendo a sua obra o objecto da sua defesa de tese, já concluída, mas ainda não defendida.

 

"Na poesia davidiana o sujeito não ama porque existe, mas para que exista. E existe para sentir, por vezes, o prazer de se dissolver e ciclicamente renascer."
                          Teresa Martins Marques

 

 

Não se tratou de uma conferência da professora. Foi mais uma participação informal que na primeira parte faz uma abordagem mais geral da obra do poeta e da sua pessoa, seguida de uma interpretação aos poemas que passo a passo iam sendo lidos.

 

David Mourão Ferreira, conhecido como o poeta do amor e da mulher, ao contrário daquilo que possa ter parecido, em parte por sua própria postura que vendia de si uma imagem que não lhe correspondia - dizia a professora com graça que ele afirmava que os homens não gostavam dele. Porquê? Porque estava sempre rodeado de mulheres - era um homem muito mais completo e complexo, angustiado e sofrendo a solidão.

No entanto o amor presente na sua obra era mais que isso. Era paixão e muito raramente dedicada à mulher, mas sim e principalmente à sua Arte.

A sua infância passada num ambiente de austeridade e secretismo e o nascimento do seu irmão mais novo, de quem sempre sentiu ciúme que não conseguiu superar, marcaram-no profundamente.

Nunca se consegue libertar da figura do destino no qual acreditava e a que se rendia e tudo era como um círculo, um redondo onde no final, o fim se junta ao princípio.

É por isso que da sua obra, onde a metáfora é sempre uma constante e onde abarca as mais diversas emoções e questões, desde a ternura ao sarcasmo, é publicada primeiro as obras mais recentes e só depois as obras mais antigas.

 

 

Maria Lisboa – David Mourão Ferreira

 

É varina, usa chinela.
Tem movimentos de gata.
Na canastra, a caravela.
No coração, a fragata.

Em vez de corvos, no xaile
gaivotas vêm pousar.
Quando o vento a leva ao baile,
baila no baile com o mar.

É de conchas o vestido,
tem algas na cabeleira;
e, nas veias, o latido
do motor de uma traineira.

Vende sonhos e maresia,
tempestades apregoa…
Seu nome próprio, Maria,
Seu apelido, Lisboa.

 

 

Um elogio à simplicidade e à cidade que ama.

David Mourão Ferreira é isto? É, mas não só! É muito mais!

 

 

Tudo isto aprendi ontem, o que prova, empregando uma frase feita que nunca é tarde para aprender, mas sobretudo prova o quanto devemos estar sempre dispostos para novas aprendizagens, porque é conjugando o verbo aprender que se vai vivendo.

Sou uma pessoa simples.

Não fui, não sou e não serei nunca uma intelectual, mas gosto e julgo saber ver o que é belo. 

 

 

 

Fotos da sessão de ontem dos Jograis Nova Atena.

Na foto de cima a Professora Teresa Martins Marques com Eduarda Galhoz, um dos elementos dos jograis e a pintora, o seu quadro alusivo entre ambas.

Na seguinte vários participantes deste grupo de jograis.

 

 

Pelo seu bem-estar, atreva-se, dedique-se, participe em actividades que lhe dêem prazer e viva mais feliz e livre.

 

Mafalda, 25 de Fevereiro de 2011


publicado por mafalda-momentos às 13:37
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12 comentários:
De elisabete castel-branco a 25 de Fevereiro de 2011 às 15:24

Como sempre muito bem.
Muito obrigada pela divulgação
Para quem estiver interessado recomendo o livro
1948-1988


De mafalda-momentos a 12 de Março de 2011 às 20:01

Ora ainda bem que cá vieste que já me tinha faltado uma coisa tão importante.

A divulgação por aqui não é nenhuma como sabes que este blog é pouco visto, por isso obrigada eu por teres vindo. Valorizou o meu post.

Beijinhos


De Rosinda a 25 de Fevereiro de 2011 às 20:29
Nunca é tarde para aprender e se o fazemos com vontade e prazer, é magnífico.
Beijinho Bom fim de semana
Rosinda


De mafalda-momentos a 12 de Março de 2011 às 20:10

Olá Rosinda

Desculpa mesmo esta minha falta de atenção, e como tu muito bem dizes nunca é tarde para aprender. Eu procuro fazer um pouco de várias coisas, já que o divertimento nos dá boa disposição, o saber não ocupa lugar e sempre se vai exercitando um pouquinho os neurónios. 
Aproveito aquilo que posso.

E voltando à tua frase do nunca é tarde, sei que já devia ter-te respondido, mas mais vale tarde que nunca.

Um beijinho para ti


De luadoceu a 26 de Fevereiro de 2011 às 10:34
o que interessa e que passeaste
o que interessa e que gostastes
o que interessa e que aprendeste....
n e preciso,acho eu,ser intelectual para gostar de coisas simples da vida e entende las...mafalda...e preciso gostar e prontos
bjinho amiga
tem um bom fds


De mafalda-momentos a 12 de Março de 2011 às 20:16

Olá Lazinha
Ó amiga já te deves ter sentido por esquecida, mas acredita que não.
Tem é andado por aqui uma grande camada de preguiça.

É verdade não é preciso ser intelectual para apreciar seja o que for. Só precisamos de gostar do que vemos, ouvimos e sentimos. Isso basta para nos fazr a vida um pouco mais agradável.

Um beijinho grande para ti


De Maria Eduarda Galhoz a 27 de Fevereiro de 2011 às 10:24

Percebo pouco de blogs. J
Julgo que a autora da descrição da aula sobre David Mourão Ferreira se chama Mafalda.
A sua descrição é outra aula - leve, directa e esclarecedora na medida em que faz um resumo perfeito.
Parabéns
Maria Eduarda


De mafalda-momentos a 12 de Março de 2011 às 20:28
Olá Maria Eduarda

Quero agradecer por aqui ter vindo e deixado o seu amável comentário.
O que escrevi foi apenas a transcrição do que escutei e muito pouco do que foi dito.
Tentei deixar o que aprendi.
É sempre um prazer estar na plateia junto do vosso grupo e desde já as minhas desculpas a si por só agora lhe responder.

Aqui tem sempre uma porta aberta para quando quiser sem nada ter que perceber de blogs.
Será sempre bem-vinda.

Mafalda

 


De Anónimo a 28 de Fevereiro de 2011 às 12:20
Cara amiga

Já não passava por cá há uns tempos, mas dei uma espreitadela hoje e aprendi algo novo (como saber da existência deste palácio e dos seus fins), é bom aprender desta maneira que aqui descreves, pois dá uma motivação mais forte ao despertar na vida, então à nova geração acho muito criativo.

Beijinhos

Óptima Semana



ISA


De mafalda-momentos a 12 de Março de 2011 às 20:46
Olá Isa

À nova geração e olha a mim também que sempre vou dando um pouco de trabalho aos neurónios.

Este grupo de jograis tem-me dado a viver alguns momentos bonitos.

Às vezes sabemos tão pouco dos nossos próprios artistas... é assim como ir de férias para o estrangeiro e não conhecer o próprio país.
Lisboa está cheia de coisas que eu não conheço acreditas? Sempre faço planos par no Inverno me dedicar a esses conhecimentos e depois acaba sempre apenas na ideia.

Beijinhos para ti


De a 1 de Março de 2011 às 03:33

Conheci o Prof. David Mourão Ferreira há muitos anos, na Faculdade de Letras de Lisboa. As suas aulas,de Literatura Portuguesa, deixavam-nos envoltos numa aura de gratas motivações. Se, pela vida fora, continuámos a recordá-lo, a essa mítica e já longínqua lembrança se deve a sua afabilidade, a cortesia e a gentileza, o saber e a paixão com que se dava e se entregava.Se, pois, como agora, é ainda recordado e vivido, é porque existe ainda alguém  que ama as nossas letras e se deixa embalar na espiritualidade e nos versos do Poeta e do escritor.


De mafalda-momentos a 12 de Março de 2011 às 20:59
Olá Zé

Pessoas privilegiadas são assim, convivem directamente com os artistas.
Pessoas comuns como eu às vezes sabem pouco da sua obra. Era o caso.
Era poeta e escritor de que não sabia muito.
Felizmente para mim tive esta oportunidade que te digo foi óptima.

O que aqui deixo é apenas um resumo muito resumido do que sobre David Mourão Ferreira ouvi.

Deu gosto ouvir a professora de quem falo no meu texto e tantas poemas diferentes do que estava habituada a conhecer dele.

Beijinhos e obrigada pela tua participação


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