Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010

William de Baskerville

 
(Continuação)

 

Serei eu capaz de dar um pouco de continuidade ao teu texto Manu?

Deixas-me experimentar?

E depois quem seguirá?

 

William de Baskerville é um frade da ordem franciscana que desempenha um papel contrastante com o papel da Igreja da época, sobrepondo o valor dos sentimentos às sentenças das leis da Igreja. Esta ordem é ainda muito contestada pela Igreja daquele tempo em que a Santa Inquisição exercia um poder enorme em nome de Deus e que se abatia sobre todos que ousavam contestar de algum modo os princípios estabelecidos pela Santa Madre Igreja, julgando e condenando de heresia quem a tais princípios se opusesse.

Na qualidade de mensageiro da embaixada que o Imperador Luís da Baviera se preparava para enviar com o intuito de conferenciarem com os representantes do Papa João XXII, que por essa época se encontrava instalado, não em Roma, mas em Avinhão, William de Baskerville é enviado a uma abadia beneditina dos Alpes marítimos italianos.

E é por aqui que toda a trama do romance - Il nome della rosa se começa a desenrolar.

William de Baskerville faz-se acompanhar nesta expedição pelo seu discípulo Adson (ou Adso) de Melk, filho do Barão de Melk, um município da Áustria à beira do rio Danúbio.

Chegados à abadia, são incumbidos pelo Abade de desvendarem o crime de um dos monges que acabara de acontecer.

Adso, acaba por se tornar num precioso auxiliar de William e num dos personagens principais já que, através das questões que ao longo de todo o enredo vai colocando ao seu mestre que se empenha até ao final em desvendar o mistério dos assassínios em série, que entretanto vão ocorrendo, mostrando ao espectador, nas respostas que arrecada do seu mestre o desvendar de toda a intriga, associada às mortes deste romance, passado na Idade Média.

A prova disto é que a certa altura o mestre diz a Adso… “Começas a pensar...”.

Aparentemente o ritmo das mortes obedece a uma sequência apocalíptica, semelhantes às catástrofes do final dos tempos das sete trombetas Apocalípticas.

William acaba por descobrir que por detrás das causas das mortes dos monges, está um livro mantido em segredo, na biblioteca da abadia, uma das maiores bibliotecas da cristandade que deveria ser considerada preciosa e da qual ninguém devia ser impedido de visitar.

Adso considera que talvez fosse por conter uma sabedoria diferente da que conheciam, ao que William contrapõe que será antes porque as ideias em alguns contidas, fariam pôr em dúvida a infalibilidade da palavra de Deus.

"...A vida da ciência é difícil, e é difícil distinguir aí o bem do mal. E frequentemente os sábios dos tempos novos são só anões aos ombros de anões – É uma das frases com que William ilustra a obra.

De facto existia um livro de que apenas três monges tinham conhecimento e que mesmo eles se encontravam proibidos de se aproximar dele. O livro da Poética de Aristóteles, que supostamente trataria do riso e que era considerado um atentado à fé. O riso aniquilava o medo… "sem medo não pode haver fé. Sem o medo do Diabo, não há necessidade de Deus. Que aconteceria se devido a este livro, os eruditos declarassem ser permitido rir de tudo? (...) O mundo regressaria ao caos, por isso selo aqui no túmulo em que me transformo" – palavras do monge cego de nome Jorge a William de Baskerville quando finalmente este descobre ser ele o autor dos crimes.

A busca deste livro tornou-se assim na causa das mortes ocorridas.

 

William de Baskerville, frade franciscano, símbolo da razão e do conhecimento científico, aparece-nos como uma qualquer figura de um romance policial no papel de um detective, astuto e perspicaz na sua observação.

 

Um espectáculo, em que o espectador é posto em contacto com a própria obra e se vê envolvido num labirinto que parece caracterizar o enredo e ainda no labirinto das salas, corredores, claustros, descendo e subindo escadas de pedra e em caracol lugares que percorre durante as cenas acabando assim por fazer parte do próprio cenário, o convento.

 

Mafalda, 30 de Setembro de 2010


publicado por mafalda-momentos às 10:31
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2 comentários:
De libel a 30 de Setembro de 2010 às 16:11
Ainda bem que não sei grego, senão via-me grega para resistir a tanto abade, frade, monge ou noviço nessa abadia!!...ahahhha....

bem gostaria de continuar...mas...fico-me pelos parabéns às duas meninas, Mafalda e Manu, pela forma astuta e empolgante com que partilharam e descreveram alguns momentos desta peça fabulosa, a qual tive o prazer de assistir em muito boa companhia.

Beijokas  


De mafalda-momentos a 1 de Outubro de 2010 às 17:32

Ohhhhhhhh!!!!!!!!!   Image
Libelinha eu a contar com um dos teus mega, hiper, super divertidos posts para acabar em beleza com esta saga de palavras chatas que aqui deixo e tu pões-te a fugir... achas bem????

Pois é amiga eu compreendo mas juro que tenho muita pena. Vê se consegues despachar essa malta toda para o Bairro Alto... Eles até são jovens!!!!!

Beijocas pra ti


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