Sábado, 5 de Junho de 2010

A arte pertence aos artistas

  

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

                                                                               Clarice Lispector


Nome:
Clarice Lispector (de origem judaica seu nome de nascimento Haia Lispector)

Nascimento:
10/12/1920

Natural:
Tchetchelnik - Ucrânia

Morte:
09/12/1977 - Brasil

Em artigo publicado no jornal "The New York Times", no dia 11/03/2005, a escritora foi descrita como o equivalente de Kafka na literatura latino-americana. A afirmação foi feita por Gregory Rabassa, tradutor para o inglês de Jorge Amado, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa e de Clarice. No dia 13/01, foi discutido o viés judaico na obra da autora no Centro de História Judaica em Nova York.

A sua obra é composta por romances, contos, crónicas, novela, correspondência, entrevistas, literatura infantil, e antologias.

O seu primeiro romance Perto do coração selvagem recebe o prémio Graça Aranha, considerado o melhor romance de 1943.

Recebe o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, por Laços de família.

O livro O mistério do coelho pensante é agraciado com a "Ordem do Calunga", concedido pela Campanha Nacional da Criança.

Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, pela Editora Sabiá. O romance ganha o prémio "Golfinho de Ouro", do Museu da Imagem e do Som.

A hora da estrela é agraciada com o prémio Jabuti de "Melhor Romance".

Nem sempre a crítica lhe foi favorável, logo desde o seu primeiro romance, sobre o qual Lauro Escorel disse que, as características do romance revelavam uma "personalidade de romancista verdadeiramente excepcional, pelos seus recursos técnicos e pela força da sua natureza inteligente e sensível.", Mas Álvaro Lins qualifica o livro de "experiência incompleta".

Três dos seus livros foram publicadas postumamente: Um sopro de vida, Para não Esquecer e Quase de verdade (infantil)

Clarice Lispector tem seus livros publicados em diversos países do mundo: Alemanha, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Israel, Holanda, Inglaterra, Itália, Noruega, Polónia, Rússia, Suécia, República Checa e Turquia.

 

Com passaporte conseguido em Bucareste, sai (com a família) do porto de Hamburgo com destino ao Brasil, onde se instalam em Maceió por já aí terem família (uma irmã da mãe). Por decisão de seu pai, a família muda de nome à excepção de Tania, sua irmã e é assim que nasce o seu nome Clarice. À sua chegada a este país tem apenas 2 meses de idade. Cresce a ouvir falar o idioma materno – o iídiche.

Com a família muda-se para o Recife onde inicia a sua aprendizagem escolar e começa a escrever, logo que aprende a ler. A família sofre de sérias crises financeiras. Aos dez anos após a morte de sua mãe matricula-se no Collegio Hebreo-Idisch-Brasileiro, onde termina o terceiro ano primário. Estuda piano, hebraico e iídiche. A família adopta a nacionalidade Brasileira. Ingressa no Ginásio Pernambucano. Aos 15 anos, tendo seu pai decidido mudar-se para o Rio de Janeiro no colégio Sílvio Leite cursa a quarta série ginasial. Concluído o seu curso inicia-se na leitura de livros alugados na biblioteca do seu bairro (Tijuca) de Rachel de Queiroz, Machado de Assis, Eça de Queiroz, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Dostoiévski e Júlio Diniz. Às voltas com dificuldades financeiras, dá aulas particulares de  português e matemática. A relação professor/aluno seria um dos temas preferidos e recorrentes em toda a sua obra. Ao mesmo tempo, aprende dactilografia e faz inglês na Cultura Inglesa. Inicia seus estudos na Faculdade Nacional de Direito. Faz traduções de textos científicos para revistas em um laboratório onde trabalha como secretária. Trabalha, também como secretária, em um escritório de advocacia. Após a morte de seu pai, passa a morar com a irmã Tania. Consegue um emprego de tradutora no temido Departamento de Imprensa e Propaganda - DIP, dirigido por Lourival Fontes. Como não havia vaga para esse trabalho, Clarice ganha o lugar de redactora e repórter da Agência Nacional. Inicia-se ai, sua carreira de jornalista. No novo emprego, convive com Antonio Callado, Francisco de Assis Barbosa, José Condé e, também, com Lúcio Cardoso, por quem nutre durante tempos uma paixão não correspondida: o escritor era homossexual. Com seu primeiro salário, entra numa livraria e compra "Bliss - Felicidade", de Katherine Mansfield, com tradução de Erico Verissimo, pois sentiu afinidade com a escritora neozelandesa. Em 19 de Janeiro, publica a reportagem "Onde se ensinará a ser feliz", no jornal "Diário do Povo", de Campinas. Começa a namorar com Maury Gurgel Valente, seu colega de faculdade com quem virá a casar e de quem terá dois filhos. Termina o seu curso de direito. Com 22 anos de idade, recebe seu primeiro registo profissional, como redactora do jornal "A Noite". Lê Drummond, Cecília Meireles, Fernando Pessoa e Manuel Bandeira. Realiza cursos de antropologia brasileira e psicologia, na Casa do Estudante do Brasil. Tendo seu marido abraçado a carreira diplomática vê-se obrigada a deslocar-se por vários períodos a diferentes lugares da Europa e à capital americana onde permanece 8 anos, sendo estas deslocações intercaladas com retornos ao Brasil. Sente-se dividida entre o ter que acompanhar o marido e o deixar a sua família.

Conhece Fernando Sabino que a introduz a Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e, posteriormente, a Hélio Pellegrino. Sua correspondência com amigos brasileiros mantém-na a par das novidades, em especial as trocadas com Fernando Sabino.

Conhece o escritor Erico Verissimo.

Finalmente regressa com os filhos, definitivamente, ao Brasil após o seu divórcio.

 

 

 

Porque escrever é arte e arte não é para todos, aqui deixo um poema desta escritora com uma particularíssima característica.

 

Siga as setas e primeiro leia-o de cima para baixo (no sentido normal) e experimente lê-lo novamente no sentido inverso, de baixo para cima e… surpreenda-se.

 

 

 

NÃO TE AMO MAIS

Não te amo mais.
Estarei mentindo se disser que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza de que
Nada foi em vão.
Sei dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer nunca que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade:
É tarde demais...

 

Pura arte... Pura genialidade

 

 

Mafalda, 5 de Junho de 2010

 


publicado por mafalda-momentos às 10:56
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8 comentários:
De Existe um Olhar a 5 de Junho de 2010 às 11:27
Olá  amiga
Sabes que adoro esta escritora?! Só nunca me dei ao trabalho de ir ler a biografia, limito-me a ir absorvendo aqui e ali algumas frases dela que se adaptam ao momento.
Gostei de conhecer o seu percurso e de tomar conhecimento com alguns detalhes de uma vida tão cheia, como as palavras com que nos brinda... e a propósito de brinde ofereço-te uma frase dela que gosto muito:

 


"Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar."


 


Hoje passei levemente para te deixar um beijinho e desejar um óptimo fim de semana.


 


Manu


 


Ps. A Julieta disse-me que tem tentado entrar no teu blog e não tem conseguido...queres ser tu a tentar entrar no blog dela, pode ser que assim ela consiga fazê-lo


 



 


De mafalda-momentos a 15 de Junho de 2010 às 19:01
Manu

Sabes que um dia ouvi dizer este poema que aqui deixei e até aí não conhecia a Clarice.
Só depois comecei a tomar conhecimento com a sua obra.
Percurso de vida atribulado que parece ter-se reflectido um pouco naquilo que escreveu, daí que tenha tido curiosidade de saber qualquer coisa sobre ela e achado que seria engraçado juntar um pouco de si à publicaçáo do poema.

Adorei a frase que me deixaste dela e sabes quem me fez lembrar?  - Fernando Pessoa.

Quanto à Julieta, obrigada amiga pelo alerta.
Algo estará de mal aqui no meu blog de quem tanta gente se queixa, mas eu não sei o que seja.
Eu já tenho visitado a Julieta e já li muita coisa dela, só que nunca lhe deixei nenhum comentário.
Acho que me vou atrever a fazê-lo e talvez assim consiga chegar ao meu, mas se não for possível vou consolando-me eu com a sua escrita.
Beijos para ti
Mafalda


De lis a 5 de Junho de 2010 às 22:58
Oi   querida Mafalda
Que bom que consegui acessar e hoje está tranquilo pra comentar.
Obrigada pela visita a meu blog , é sempre uma alegria te-la por lá.
Gosto muito de Clarice Lispector , a considero brasileira pelo tempo que aqui viveu e  fez grandes amizades. Teve uma vida atribulada e seus versos traz embutido algum mistério.
Obrigada pela partilha dessa biografia de ua guerreira que colocou nas palavras sua mais bela expressão de vida.
O poema é de fato interessante  e genial
Boa noite, um bom domingo e volte sempre na minha casa,ok?
Beijinhos


De mafalda-momentos a 15 de Junho de 2010 às 19:14
Oi Lis queridinha
Passar pelo seu blog é sempre uma delícia, pois encontra-se sempre beleza, seja de que género for.
Este meu blog é um antipático e às vezes trata mal as minhas visitas... eu bem o ensino, mas ele é travesso. Falando sério, sei que há aqui qualquer coisa que não deve estar bem, mas não sei o quê.
Talvez um dia consiga descobrir e solucionar.

Também gosto muito da Clarice e tive curiosidade em saber algo sobre sua vida que de facto foi atribulada.
Claro que é Brasileira, pois foi o país que adoptou e a lingua em que escreveu toda a sua obra.
Me aguarde que em breve voltarei a sua casa ok?
Beijinhos salpicados com gotas do Oceano.


De luadoceu a 7 de Junho de 2010 às 10:26
Eu tb gosto da ecritora
Tem escritos lindissimos e com sabedoria
Fica bem
Bjos


De mafalda-momentos a 15 de Junho de 2010 às 19:22

Ó Luazinha
Espero que esteja tudo bem contigo, com a tua bebé, namorado... toda a familia e amigos.
Não te aborreças comigo por só agora responder. Já fiz aí um post a explicar, porque os amigos merecem a nossa atenção.

Fico contente por gostares, porque pessoalmente também aprecio muito.
Beijinhos


De Fátima Soares a 14 de Junho de 2010 às 00:13

Olá Mafalda. Espero que estejas bem minha amiga, desculpa se não tenho vindo estive um pouco doente. Ainda estou mas vai-se andando. Deixo um beijinho com muito carinho e espero que tudo te corra sempre bem. Bjs amiga.


De mafalda-momentos a 15 de Junho de 2010 às 19:32

Não tens que pedir desculpa Sindarin.
Eu também tenho andado aqui um pouco ausente e como vês só hoje é que estou a responder a comentários já tão atrasados.
O pior mesmo é estares doente. Espero que te recomponhas depressa está bem?
Beijinhos e as tuas melhoras rápids


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