Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Onde estás que me ignoras?

 

Se me ouves, porque não me escutas?

Se te peço, porque não me atendes?

Se duvido, porque não me esclareces?

Se existes, porque não te mostras?

 

Ensinaram-me que devia ser tua humilde serva,

Que devia acreditar sem nada questionar.

 

Mas o nosso eu cresce e duvida!

 

Sinto e vejo a mão da mãe natureza,

Sigo as leis do universo porque elas são visiveis.

 

Mas se na vida e na morte sempre me fazes recordar-te,

Que mais queres tu de mim?

 

Hoje, como mãe, a minha mais útil função,

Preciso de te sentir presente,

Mas sinto-te ausente...

 

Onde estás que me ignoras?

 

 

 

 

Mafalda, 8 de Outubro de 2009

 

(foto minha)

 

 


publicado por mafalda-momentos às 11:29
link do post | comentar | favorito
|
10 comentários:
De cumplicedotempo a 8 de Outubro de 2009 às 18:25
ola Mafalda venho retribuir a simpática visita que me fez , e digo retribuir não no sentido de me achar obrigado a fazer lo
mas sim movido pela reciprocidade para com a simpatia do comentário que no meu cantinho deixou
que me fez cá vir com todo o prazer do mundo
e pelo que já espreitei , irei com certeza ter muitas razões para cá voltar e ai então poder comentar cada texto seu

bem haja mafalda , beijo cúmplice

quanto ao questionar a fé e Deus , hoje em dia com o que presenciamos em nossa volta , com tanta injustiça e desgraças , penso que cada vez se torna mais facil fazer lo
imagino então na sua situação de mãe preocupada com o futuro que ai vem e o bem estar deles
sou simplesmente tio , e nem quero imaginar o quanto o iria questionar se algo de mal lhes acontecesse ...

abraço de cumplicidade


De mafalda-momentos a 11 de Outubro de 2009 às 02:32

Só tenho a agradecer a visita e aproveito para dizer que admiro muito esse seu cantinho e o que lá deixei foi porque o achei merecido,

Quanto a este meu texto, hoje ao responder, confesso que nem compreendo porque o abordei assim publicamente.
É verdade que fui educada nesta doutrina, mas é verdade também que hoje sou descrente.
É verdade que como mãe e no mundo em que vivemos cheio de perigos, injustiça e falta de meios de sobrevivência, me preocupo até quase à exaustão e a tendência é para super proteger. Daí que por vezes qualquer coisa menos boa tome umas proporções desmesuradas. No entanto às vezes precisavamos de ajuda sem se saber onde a obter.
E como as bases dessa educação estão cá... por vezes ainda são lembradas e questionadas.
Ah e quero dizer que conheço bem essa sua posição de "simplesmente tio"... pois já li o post lindo que lhe dedicou.
Bom fim de semana e um abraço também.


De Fátima a 8 de Outubro de 2009 às 19:29
Não acredito e por outro lado deito-me na fé que Ele existe... Por vezes falo com Ele, como se fosse um amigo... Outras, atiro-me a Ele como uma fera ferida...Nunca obtive resposta...E no entanto minha amiga, muitas vezes Ele mostrou caminhos por onde seguir...Guiou meus passos e principalmente...guis as pontas dos dedos que falam do coração...Na verdade, não importa se acreditas ou não...importa é aquilo que sentes no teu coração...porque se existe, é aí que ele vive!!! Beijo com carinho


De mafalda-momentos a 11 de Outubro de 2009 às 01:59

E eu sou como tu Fátima
Não acredito, mas falo-lhe e peço-lhe. Porquê?
Acredito que aquilo que ele representa vive em nossos corações e é isso que nos guia na vida e nos faz saber da diferença entre o bem e o mal.
Só que às vezes vêm ao de cima as reminiscências da educação que tive e se algo corre pior...reclamo.
Na verdade, hoje nem sei porque o fiz assim publicamente e acho que foi por isso que levei mais tempo a responder.
Obrigada amiga por tuas palavras verdadeiras e reconfortantes.
Beijo com carinho para ti


De inoutyou a 8 de Outubro de 2009 às 21:43

Olá Mafalda,

No meio de tanta desgraça, nos questionamos...mas penso que no fim de contas todos temos de passar por provações...por aqui tudo é passageiro..e eu continuo a ter fé...

Beijinhos
ALex


De mafalda-momentos a 11 de Outubro de 2009 às 01:44

Sim ninguém ou quase ninguém está exento de provações.
Fui educada na mesma fé que ainda te acompanha, mas algures no tempo desacreditei-me.
No entanto vês, quando o cansaço da luta bate, ainda tenho a ousadia de reclamar, porque me sinto abandonada.
São as contradições do ser humano a que eu não escapo.
Obrigada pela companhia.
Beijinhos
Mafalda


De inoutyou a 11 de Outubro de 2009 às 15:52

Mafalda,

continua a pensar no que realmente te fez desacreditar, e se valeu a pena, ou então se valerá a pena meditar no sentido das coisas, no nosso sentido de viver aqui neste mundo...
Eu podería te dizer que ás provações porque passei, devería ter desistido, mas não, e não me considero masoquista, mas para tudo há uma explicação (até para a morte...) (desculpa meu comentário...)

Beijinhos
Alex


De mafalda-momentos a 14 de Outubro de 2009 às 17:43

Alex
Nada de pedidos de desculpas meu amigo.
A sinceridade nunca precisa de ser desculpada.
Continuo a pensar que serão (talvez) mais felizes as pessoas que acreditam, pois talvez que aceitem com melhor compreensão.
As tuas palavras fazem sentido e vão ao encontro do meu lema de vida - Nada acontece por acaso - mas que atribuo ao destino.
Obrigada por partilhares o teu sentir comigo e pelo conforto que me ofereceste. Desculpa eu, de só agora te responder.
Beijinhos
Mafalda


De josé cunha a 24 de Novembro de 2009 às 19:45
De conteúdo metafísico, o Poema, habilmente trabalhado, comoventemente sentido, porventura experimentado nas suas mais variadas vivências, versa sobre o sentido da nossa existência.

Expõem-se, no Poema, algumas ideias que, enfim, acompanham o homem na sua luta constante, pela conquista da verdade, de entre as quais :
- O apelo insistentre à Entidade Divina;
- A condição humana e a dúvida espiritual, em momentos de angústia;
- A procura de Deus e da sua Morada.

Observa-se um ritmo intenso e alucinante de interrogações, cujos verbos e versos curtos, expressivos, iniciados pela conjunção condicional, de sentido visual e auditivo - ouvir, pedir, duvidar, existir, nos fornecem a imagem de sofrimento do Poeta, que procura o seu Senhor e não O encontra!

Acção movimentada, onde o turbilhão de pensamentos desencadeia imperiosas interrogações a Deus, que não responde.

Apenas a Natureza, sua conselheira, parece partilhar
da tragédia que a rodeia, ela, que seguiu as suas leis, mas agora se vê desamparada e na solidão, de novas interrogações, ao encontrar-se perante a busca incesante de uma Luz que ilumine o seu caminho.

E, mais uma vez, a comovedora ansiedade, quando bate à porta e não se abre - "preciso de Te sentir presente, mas sinto-Te ausente"!

A procura de Deus é um tema candente e transversal a todas as épocas e a todos os homens humildes e de talento!
Antero de Quental, no século XIX, deixou-nos um Soneto - "Ignoto Deo", de inquietantes dúvidas e de muita beleza interior. Descartes consegue provar a existência de Deus, através de todas as suas dúvidas, que lhe terão permitido, com serenidade, a grande viagem, quando tinha pouco mais de cinquenta anos.

Perde-se, na dimensão de todos os planos e horizontes, este infinito e insondável mistério da nossa existência, perante, ao menos, o Panteísmo Sagrado do Universo. Cristo, na sua solene agonia, havia de questionar os Céus, sem resultado, quando exclamou - "Pai, por que me abandonaste ! "
Mafalda, na sua imaginação e no seu sofrimento espiritual, dá uma nova expressão literária e filosófica ao grandioso tema da procura de Deus, criando, assim, um espaço e uma atmosfera de indizível alvoroço psicológico!

O Poema merece integrar serena antologia, pelo seu conjunto de formulações e por constituir poderosa reflexão e estudo, não só estético-literário, mas filosófico e vivencial!


De mafalda-momentos a 27 de Novembro de 2009 às 12:24

É uma profunda, completa e competente análise que aqui fazes a estas minhas tão simples palavras.
Sei que és um homem de Deus e da filosofia também.
Tens um poder de síntese e introspecção que a mim me falta.
Pergunto-te. Se digo que não acredito por que me viro tantas vezes para Ele? Por educação, por dúvida, ou apenas por hábito humano? No fundo a maior parte de nós o faz nas alturas de aflicção... nos momentos bons alegramo-nos e pronto.
Eu própria não me entendo com esta dualidade.
Beijinho e o meu muito obrigada.
Mafalda


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. A minha despedida

. Cansativo

. Desfolhando o malmequer.

. A praia é só deles.

. Ó noite de Santo António

. A pena do gabbiano deslis...

. O BEIJO

. Primavera

. Casa Arrumada... Desarrum...

. CASA ARRUMADA

.arquivos

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Junho 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

.tags

. todas as tags

.links

.Musica

.O meu primeiro Selo


Obrigada Libel Linda

.O meu "Segundo" Selo


Obrigada Fátima

.El Puente - Serpai - 27/08/2010

Además del sello te regalo mi flor favorita... Gracias Sergio... un abrazo

.Obrigada luadoceu - 21/10/2010

.subscrever feeds