Terça-feira, 28 de Julho de 2009

Fala-me baixinho

Fala-me baixinho

Fala-me com ternura

Como se eu fosse uma criança.

 

Fala-me baixinho

Fala-me das histórias

Que só tu sabes contar.

 

Fala-me baixinho

Fala-me do Mundo

Mas não me contes das maldades

Que quero serenar.

 

Fala-me baixinho

Fala-me a cantar

Com a tua voz doce

Que só tu sabes usar.

 

Fala-me baixinho

Fala-me da magia

Com que me sabes encantar.

 

Fala-me baixinho

Fala-me devagarinho

Como se me estivesses a embalar.

 

Fala-me baixinho

Fala-me ao ouvido

Mas fala

E não me deixes acordar

Que quero ficar a sonhar.

 

 

 

Mafalda, 28 de Julho de 2009


publicado por mafalda-momentos às 16:01
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Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

Carta de Manuel a Maria

Escreves-me e contas da vontade que tens de me vir visitar.

Eu digo-te que venhas.

Mas apesar disso, não te é possível largares a tua vida tão simplesmente para fazeres a tua vontade.

Escreves-me e contas-me sobre as tuas gentes. Como as amas, como lutas por elas, como as proteges.

E contas-me também dos teus sítios. E aí me encantas!

Falas-me da tua horta, da beleza dos seus verdes viçosos e da diversidade da cor dos frutos e de como a mãe natureza, mostra ao teu simples olhar o seu desenvolvimento que reconheces de dia para dia.

E desde as cerejas aos abrunhos, passando pelos mogangos até às chirivias de tudo me falas.

Aqui ninguém sabe o que são mogangos ou chirivias, nem eu, mas tu me ensinas e me explicas como se comem. Enriqueces os meus conhecimentos Maria.

Falas-me das diferentes aves que contigo se cruzam e fazes-me a descrição das serranias e da tua vivência.

À noite, as primeiras luzes que se acendem, ao longe, são as de Monsanto. O quarto onde agora dormes está virado a Monsanto. Digno de se ver. A Aldeia mais Portuguesa. Penha Garcia, também. Fica no caminho.

Digo-te que não conheço Monsanto, mas que gostava de lá ir. No entanto já fui ao Piódão que achei uma maravilha.

E tu esclareces, Piódão é mais para Arganil. É uma das sete aldeias maravilhosas.

Podes escolher os quartos onde dormes e umas vezes dormes voltada à Serra da Gardunha, outras à Serra da Estrela.

E continuas.

A Cova da Beira é um triângulo. Covilhã, Fundão, Belmonte, o Rio Zêzere até ao Paúl, que vem de Manteigas e a bacia da Meimoa. A Serra da Gardunha e a Serra da Estrela na vertente Sul.

Falas da beleza da Lagoa do Cântaro Gordo, na Serra da Estrela e dizes-me como gostavas de me levar lá um dia. E a Monsanto também.

Nada disto eu visitei, mas conheço através das tuas descrições Maria.

Depois contas-me do silêncio maravilhoso, impar que aí escutas, mas contas também como, apesar de belo e da paz sentida, por vezes, quando  demasiado prolongado, se pode tornar pesado e te sentes só, carente.

E então contaste-me uma coisa inesperada. A recordação e as saudades que sentes do mar. Da maravilha dessa imensidão de água que se perde de vista no horizonte.

E finalmente anuncias-me que vais descer da Serra e me vens visitar.

Também precisas de vir por outros assuntos. Não vens só por mim, mas não faz mal. Fico feliz na mesma.

Dou voltas ao pensamento tentando saber como te retribuir tanta coisa linda que me escreves Maria.

Encontro um ponto. Levar-te-ei a ver o Mar. Esse mar que ao amanhecer tem a  cor de prata, ao meio do dia o seu azul se junta ao azul do céu e que ao cair do dia, ele próprio, fica nostálgico com o Sol que, incandescente vai desaparecendo deixando adivinhar a escuridão. Esse mar que às vezes é sereno e outras revolto, mas sempre belo.

Na minha imaginação vejo tudo. Vamos à tardinha, e ficaremos mergulhados no Pôr do Sol.

Sentamo-nos na areia. Tu Maria ficarás entre as minhas pernas de joelhos flectidos e envolver-te-ei em meus braços ao nível dos ombros para que não sintas frio com a frescura da humidade marítima. E os nossos olhos seguirão a trajectória do Astro Rei até que aos poucos ele desapareça bem lá no fundo. A sua luz ver-se-á ainda um tempo, até que o crepúsculo dê lugar à noite. O mar vai confundir-se no céu e distinguir-se-á apenas porque lá em cima brilham as estrelas.

Por mim dormiríamos na areia e assistiríamos também ao amanhecer. E o cenário ficaria completo.

Quando chegaste fiz-te a proposta de te levar a ver o mar. Aceitaste e pareceste-me satisfeita.

Mas não nos sentámos na areia da praia. Vimos o mar e o Pôr do Sol sim, mas caminhando lado a lado por cima do alcatrão.

Vês tu Maria como a imaginação pode ser traiçoeira, como pode contrariar um sonho numa realidade diferente?

Depois partiste. Voltaste à tua Serra.

Mas diz-me Maria, voltaste feliz?

Manuel

 

Mafalda, 23 de Julho de 2009

(a foto do mar é minha) 


publicado por mafalda-momentos às 17:02
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Apesar de...Gosto

 

Presente

Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço.

O passado, já o não tenho.

Fernando Pessoa

(Livro do Desassossego)

Gosto de mim porque sou eu!
Gosto de ti porque és humano!
Gosto das crianças porque são sinceras!
Gosto da natureza porque é bela!
Gosto das flores porque têm cor e cheirinho bom!
Gosto do mar porque na sua imensidão me faz sonhar!
Gosto do nascer do Sol porque me trás o dia, com ele a luz, o calor!
Gosto do pôr do Sol porque me trás a noite, com ela as estrelas, a lua, o descanso!
Gosto de aproveitar, saborear, cada olhar meigo, cada palavra gentil, cada gesto carinhoso, suave, cada pedacinho bom, por breve que seja, que a vida me dá!

Gosto sim, de verdade, de viver!

Vem Vida que te abraço,

Deixa que te sinta,

Dá-me o prazer desta dança,

Traz-me o eco dos teus sons,

Mostra-me a pintura das tuas cores,

Que eu deixarei apenas de sobreviver!

 

Mafalda, 15 de Julho de 2009

 

(apenas 5 das fotos do mosaico são minhas)

 


publicado por mafalda-momentos às 09:12
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Domingo, 12 de Julho de 2009

O virar da página

 

São horas! Diz-me o relógio. Eu respondo em silêncio – dá-me mais uns dias.

É tempo! Dizem-me os dias transformados em meses. Eu respondo em silêncio – dá-me mais um tempo.

Já chega! Dizem-me os meses transformados em anos. Eu respondo em silêncio – eu sei. Deixa-me só encontrar o tempo certo.

Vai chegar esse tempo certo? Não respondo, fico apenas em silêncio.

 

Muitas têm sido as vezes deste diálogo. E nunca soube responder sobre o tempo certo.

 

Tem sido uma luta constante e feroz. Por vezes quase destruidora. É uma luta contra mim mesma e por isso solitária. Travei-a no mais fundo do meu coração e da minha mente.

Houve horas que quase enlouquecia, mas outras houve em que me fortalecia. Foi ao reconhecer estas últimas que soube, um dia venceria.

Estive muito perto de ser derrubada, mas alguém, sem o pressentir, tocou na palavra chave – sonho – e devolveu-me de novo à realidade.

E só posso agradecer.

Tanto, mas tanto me tem doido, mas fiz o que sei estava certo.

E só posso me sentir vitoriosa. Não o digo com vaidade. Digo-o com verdade.

 

Não que tenha esquecido, não que não sinta saudade, não que deixe de ser importante. Assim o será sempre.

 

São horas, é tempo, já chega!

É o que as “vozinhas” sempre me têm segredado ao ouvido e cujo eco, caindo em minha alma, fizeram finalmente nascer o seu fruto.

Foi mais uma luta de tantas que já travei.

Não diria que chegou ao fim. Mas diria, foi mais uma que venci.

 

Tenho ganho muitas batalhas. E só posso me sentir gloriosa.

Mas não sinto que tenha ganho a guerra, de tantas sequelas que guardo em minha alma.

 

Não direi que é tempo de dizer adeus.

Mas é tempo de virar a página.

Virar a página e fechar o livro.

 

Mas um livro nunca se fecha para sempre.

Ele pode sempre reabrir-se um número infinito de vezes.

 

E eu sei que muitas vezes voltarei a pegar nele e o abrirei de novo.

E eu sei que ao abri-lo, ele se abrirá sempre antes desta página virada.

A saudade me visitará e me envolverá na sua melancolia, então, doce.

Será como um remexer nas cinzas ainda quentes da lareira.

Talvez meus olhos se encham ainda daquelas gotas de água salgada, que hesitarão entre o secar na fonte, ou deixarem-se escorregar de mansinho.

Mas sei que estarei em paz comigo mesma!

 

Não digo adeus, que não saberia fazê-lo.

Direi apenas – É tempo.

Até...

 

Mafalda, 12 de Julho de 2009


publicado por mafalda-momentos às 14:53
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Sábado, 4 de Julho de 2009

O valor das coisas

 

“O valor das coisas não está no tempo

em que elas duram,

mas na intensidade com que acontecem.

Por isso,

existem momentos inesquecíveis,

coisas inexplicáveis

e pessoas incomparáveis.”

 

Fernando Pessoa

 

 

Fernando Pessoa, sem dúvida, um dos maiores poetas de língua portuguesa. Do nosso lindo mas difícil Portugal

 

O ser humano rege a sua vida pelo pensamento e pelo sentimento.

E porque todos somos diferentes, há quem pense, há quem sinta e há quem pense e sinta.

 

Aqueles que pautam sua vida pelo pensamento, são os homens que mais desenvolvem a sua inteligência. Esta pode ser já uma característica que lhe venha dos seus genes. Mas ela pode ser cultivada pela procura e interesse incessantes de adquirir conhecimentos e se, se aliar à memória, a qual também pode e deve igualmente ser trabalhada, o resultado pode ser espectacular.

 

Aqueles que vivem sua vida assumindo sempre o sentimento, possivelmente nasceram já com o dom da sensibilidade. É um dom sim! Porque ou se tem, ou não se adquire. Salvo raras excepções em que, por experiências demasiado dolorosas, um ser humano tenha sido obrigado pelas circunstâncias a renascer e aí pode de facto adquiri-la.

 

Haverá ainda quem, abençoado á nascença, pela varinha mágica da sua boa fada madrinha, possua estas duas características. A inteligência fértil e o dom da sensibilidade.

Será este o barro de que são feitos os génios?

 

A verdade é que, inteligente ou sensível, todos nós, embora uns menos que  outros, sentimos no decorrer da vida sentimentos idênticos, com menor ou maior intensidade. E se senti-los é normal, transmiti-los, qualquer que seja o modo (arte) de expressão, escrita, música, pintura...é que se torna difícil. Não é para qualquer um!

 

É por isso que muitas vezes encontramos nas expressões de outros, sentimentos com que nos identificamos plenamente, mas que não soubemos definir.

É por isso também que encontramos idênticos expressar dos mesmos sentimentos, em pessoas que se tornaram notáveis. Falo dos tais génios!

 

E voltando a Fernando Pessoa, um génio da literatura, e ao pensamento com que iniciei este texto, eu fui encontrar num outro poema, de uma forma mais romanceada e menos sucinta, o mesmo  sentimento que ele transmite.

O valor da vida e o valor que as pessoas têm na nossa vida.

Esta foi, pelo menos, a minha interpretação.

 

Resta-me acrescentar, que tudo isto, não passa da minha modesta opinião.

 

Passo a transcrever o poema a que atrás me referi, salvaguardando que o encontrei publicado na Net e não num livro original, pelo que ressalvo qualquer falha que possa existir.

 

Já perdoei erros quase imperdoáveis,

Tentei substituir pessoas insubstituíveis

E esquecer pessoas inesquecíveis.

 

Já fiz coisas por impulso,

Já me decepcionei com pessoas

Quando nunca pensei me decepcionar,

Mas também decepcionei alguém.

 

Já abracei para proteger,

Já dei risada quando não podia,

Já fiz amigos eternos,

Já amei e fui amado, mas também

Já fui rejeitado.

 

Já fui amado e não soube amar

Já gritei e pulei de tanta felicidade,

Já vivi de amor e fiz juras eternas,

Mas “quebrei a cara” muitas vezes!

 

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,

Já liguei só para escutar uma voz,

Já me apaixonei por um sorriso,

 

Já pensei que fosse morrer de tanta saudade e...

Tive medo de perder alguém especial

(e acabei perdendo)!

Mas sobrevivi!

 

E ainda vivo!

Não passo pela vida...

E você também não deveria passar.

Viva!!!

 

Bom mesmo é ir à luta com determinação,

Abraçar a vida e viver com paixão,

Perder com classe e vencer com ousadia,

Porque o mundo pertence a quem se atreve

E a Vida é Muito para ser insignificante.

 

Charlie Chaplin

 

 

Mafalda, 4 de Julho de 2009


publicado por mafalda-momentos às 19:58
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