Sábado, 25 de Abril de 2009

Página de revista

 

Há muitos, muitos anos, tantos que eu ainda me encontrava na casa dos vinte e..., ao folhear distraidamente uma revista, de que já não lembro, mas pouco importa qual, deparei-me com um texto que ocupava uma página inteira (a página direita, isso eu lembro).

Estava escrito em itálico. Por qualquer razão que não sei dizer, despertou-me à atenção e decidi-me a lê-lo. No fim vi que não estava assinado.

 

O que li achei no mínímo curioso e conclui que tinha valido a pena dedicar uns momentos do meu tempo lendo-o, em vez de, simplesmente, virar a página como estava fazendo com a revista. Tanto que recortei a página e a guardei.

 

Hoje ao arrumar uma gaveta da escrevaninha encontrei no fundo, guardada num envelope essa folha da revista, o papel já um pouco amarelecido pelo tempo.

Reli-o e ao fazê-lo experimentei a mesma sensação da primeira vez.

Quem o escrevera, retratara bem como é importante (de parte a parte) perceber, empenhar-se, usar a imaginação, ter a capacidade de surpreender e acima de tudo, nunca se acomodar, para que as relações não percam a cor, não esmoreçam, não se tornem insípidas, que as pessoas não se suportem apenas e muitas vezes não acabem por terminar, com o decorrer do tempo.

Acho que o texto dá que pensar e por isso a seguir o transcrevo.

 

“Quando te conheci, lias um romance na varanda da tua casa, era Setembro e usavas fitas no cabelo. Deixaste-te ficar absorvida, sabendo que eu não tirava os olhos de ti, mas esqueceste-te de virar a página do livro...

Não me digas que,  então,  eu te amava...!

Quem entende destas coisas não confunde o amor com a paixão.

As nossas primeiras conversas foram sobre como seria mais tarde, connosco e não era nunca de uma casa que eu falava, mas de um lugar com muito chão, algumas almofadas e discos fora das capas, tu ouvias-me com atenção. Também te expliquei, muitas vezes, a difícil teoria do desejo permanente e a relação disso com a intimidade ocasional: sabes que até reparava nos sapatos que levavas, quando ias a minha casa aos sábados à tarde!?

Já não usas fitas no cabelo.

Agora já és apenas aquela que está sempre em casa, quando eu chego...Vivemos juntos. Enquanto eu faço a barba, tu lavas os dentes. O cheiro da minha água de colónia mistura-se com a tua.

Bem vejo a tua irritação, quando me enfronho nos meus livros, depois do jantar e tu ficas à espera que eu invente uma conversa, uma saída, como fazia dantes. Íamos a Óbidos, só para te tirar fotografias!

Que aconteceu à tua cara?

Não te pedi que te tornasses a “dona” desta casa, e não esperes que eu te agradeça todo o trabalho que tens para a manteres limpa e confortável.

Cada botão que pregas na minha roupa aproxima-te mais da minha mãe.

O que é que perdeste, pouco a pouco, á media que te fui conhecendo?”

 

Desconheço o autor

 

Mafalda, 25 de Abril de 2009


publicado por mafalda-momentos às 17:32
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Sábado, 18 de Abril de 2009

Obrigada por existirem...

 

Porque todos os sentimentos e emoções que aqui tenho deixado expressos, não fariam sentido...

Porque  este espaço que criei, nem sequer seria meu...

Se de vocês eu não falasse.

 

Já várias vezes tentei e não consegui.

Porque não encontro palavras suficientemente explicitas, belas, ternas que traduzam o que por vocês sinto e o quanto significam para mim. Acho, simplesmente, que nem sequer existem.

 

Falo de vocês, maninhas.

 

Mas porque hoje é um dia especial para mim, achei que fosse o que fosse que conseguisse, era tempo de dizê-lo.

 

Desde sempre, logo que nasci, tenho vivido, protegida, mimada, ajudada por vocês. Sempre e incondicionalmente!

Terei eu correspondido igualmente? É uma dúvida que me sobressalta.

 

E na falta de palavras, que não encontro, apenas me ocorre dizer, que não sei o que seria de mim sem vocês...

Que não sei o que será de mim se algum dia me faltarem...

Por tanto que tenho recebido – e falo de amor...

É tão bom ser sempre chamada, em vez de Mafalda, “Queridinha”...

Vocês são Duas das mais Belas Flores do meu jardim.

Do tal jardim que não tenho, mas existe...

 

Eu vos adoro e agradeço por existirem e fazerem parte de minha vida. Por me aceitarem e amarem tal como sou – imperfeita.

 

Um beijo doce e infinito.

 

 

P.S.  Sei, sabemos, que algures por aí nesse mundo, existe ou existiu outro ser como nós.

É estranho, na comparação, nada conhecer e que só muito de vez em quando lembre esse facto!

 

 

Mafalda, 18 de Abril de 2009


publicado por mafalda-momentos às 12:37
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Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Veleiro solitário

 

Sou, qual veleiro solitário, que tendo-se feito ao mar em busca de novos horizontes, ficou prisioneiro na súbita tempestade, de mastro partido e velas rasgadas.

E no meio das ondas alterosas, teima a todo o custo manter-se firme, não ceder.

Escuta o soprar do vento e o rugir do mar e vai seguindo á deriva, sem rumo.

No escuro da noite o mar se confunde com o céu.

E o pobre veleiro é apenas um ponto minúsculo, quase invisível, em tamanha imensidão.

É como se o veleiro fosse apenas um coração pulsando assustado, ansiando que o amanhecer lhe traga a bonança e com ela encontrar seu porto de abrigo para nele acostar e serenamente, enfim repousar.

Ai meu veleiro solitário e quebrado, ai meu coração único e desventurado, que tontos vocês são!

 

Mafalda, 17 de Abril de 2009


publicado por mafalda-momentos às 13:56
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Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Conversando com o vento

Foi um dia de muito vento.

Algumas nuvens negras, mas que rapidamente se deslocavam deixando o céu azul e o sol brilhar. E foi decerto o vento forte que as transportou não deixando que largassem os aguaceiros anunciados para hoje.

Tinha a janela da marquise toda aberta e a porta da cozinha para a mesma, aberta apenas com uma fresta para arejar.

E na cozinha executava uma daquelas tarefas caseiras sem qualquer graça.

Contrariamente ao normal não havia música, mas ouvia um barulho de fundo.

Quando realmente o escutei percebi que era o vento soprando pela fresta da porta.

E no som que produzia, pareceu-me, conversava.

Sorri e disse:

-Estás a falar comigo?

E de pronto ele se fez ouvir num palavreado apressado e entrecortando o seu som com vários cambiantes.

-Pareces irritado! Porquê?

Novamente ele retorquiu, num contínuo e mais apressado ainda balbuciar de palavras inauditas.

-O quê? Estás há que tempos a falar comigo e eu não te escuto? É isso que me estás dizendo?

-Desculpa se levei tempo a responder-te. Não te compreendi. Queres que feche a porta não é?

E mais forte, mais apressado, mais prolongado, emitindo sons ora mais graves, ora mais agudos, continuou a fazer-se ouvir.

Parecia zangado até!

-Estou a entender bem? Queres que abra a porta para tu entrares?

Emitiu um assobio que parecia um suspiro.

-Não estou errada? Estás a dizer isso mesmo?

O mesmo assobio.

-Mas se te abrir a porta vais entrar-me pela casa dentro, passear pelas divisões e encher-me tudo de pó que trazes contigo. Além disso tu pertences á rua.

Continuou com o seu palavreado rápido e de diversa sonoridade.

-Estás cansado de viver na rua e queres sentir o conforto da minha casa?

-Mas se entrares ela vai deixar de ser confortável.

O vento assobiou e parecia triste.

Olhei pensativa para a rua e havia sol.

Então perguntei:

-Se eu te abrir a porta, prometes que entras e não fazes estragos?

-E quando eu te disser para partires e fechar a porta atrás de ti prometes não ser teimoso?

Fez-se ouvir de novo com um assobio vivo. Como se assobiasse a uma rapariga bonita que na rua passasse.

-Isso quer dizer um sim?

O mesmo assobio.

-Bom vou confiar em ti!

Abri a porta e logo recebi no rosto uma lufada de ar fresco e a minha saia ondulou um pouco.

-Obrigada pelo abraço – comentei.

Saí da cozinha e passeei devagar  por toda a casa. Parecia mais fresca, mais viva.

-Então gostas?

Nada ouvi.

Voltei á cozinha e senti um arrepio.

-Acho que é tempo de saíres, estou a ficar com frio.

Aproximei-me da porta e voltei a perguntar.

-Está bem assim? Pode ser?

De novo o mesmo valsar da saia e a mesma aragem fresca na cara.

Fechei os olhos e saboreei esse sentir.

-Vou então fechar a porta.

E á medida que a ia fazendo correr na calha, o vento recomeçou o seu balbuciar de sons, apressando-se e subindo de tom ainda mais, como se sentisse receio de não ter tempo de dizer tudo.

-Tens razão! O meu lugar é na rua. Aí tenho espaço para viver.

E quase a porta fechada gritou bem alto.

-Mas obrigado pela hospitalidade. Fico grato por te conhecer.

E ficou o silêncio!

Sorrindo pensei – É bom sentir a imaginação!

 

Mafalda, 16 de Abril de 2009

 

 

 

 

 

 

 


publicado por mafalda-momentos às 14:56
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Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

"Alma minha gentil,..."

 

”Alma minha gentil, que te partiste

Tão cedo desta vida descontente,...” 

Luiz Vaz de Camões


Soma mais um ano.

E já lá vão tantos! 
Mas não lhe perdi o conto.
Vivo a recordação e a saudade.
Sei que teu menino mais velho te procurou.
Fez finalmente as pazes contigo, assim o espero.
Tantas vezes te tenho pedido que cuides deles.
Pareceu-me um sinal.
Se é ilusão não sei dizer-te.
Mas fico feliz por acreditar que sim.
Foste o único que nunca me desiludiu! 
Já eu,...
 
Mafalda, 1 de Abril de 2009

 


publicado por mafalda-momentos às 15:02
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