O BEIJO
É useira e vozeira
A melhor e verdadeira
A tradicional definição
Distinguida com distinção.
Beijo é a mais encantadora
Carinhosa e enternecedora
Mágica e arrebatadora
Demonstração milagrosa do querer
Que se sente por outro ser.
Diferentes são os afectos
Diferentes são os sentidos
Diferentes são as pessoas
Diferente é o amor
Dos nossos beijos trocados.
Há beijos de pais para filhos
E beijos de filhos para pais.
Há beijos entre irmãos,
Sobrinhos, netos, avós.
Há beijos de amizade
E beijos de cumplicidade.
Há beijos de lealdade
E até beijos de traição.
E não mais importante
Mas sempre presente e lembrado
Há o beijo da paixão
Ardente e cego que nos dá a ilusão
Do muito que somos amados.
Não vivemos sem nenhum.
Sempre foi, é e assim será.
Ninguém me diga o contrário
Pois sei que tenho razão
E daqui não arredo pé
Venha lá quem vier
Ministro, Rei ou Papa
Que justiça seja feita,
Esta é a melhor definição.
Mafalda, 13 de Abril de 2012
Bom dia Primavera, enches-me a alma de luz, gosto muito de ti.
Tiradas daqui: https://plus.google.com/photos/103486827
Autor das fotos: Jorge de Freitas Soares
Tirada daqui: http://olhares.sapo.pt/a-ver-o-sol-foto2
Autor da foto: Jorge de Freitas Soares
“Casa arrumada” é aquela que nos dá vontade de a viver.
Não precisa de ser luxuosa, nem de tudo estar exactamente no lugar, mas precisa que seja a nossa referência, a nossa identidade.
Difícil não é arrumá-la, mas mantê-la assim, o nosso canto de aconchego, o nosso abrigo.
Arrumámos a casa e ficámos aliviados, crentes de que tudo estava resolvido.
Depois…
Ah, depois foi mais forte que o desejo!
Para quê arrumar a casa senão para a seguir desfrutar dela?
Tranquilamente, mas ao mesmo tempo saboreando um bom grau de excitação, estiraçámo-nos no sofá e apreciámos o conforto.
Através da vidraça de vidros imaculadamente transparentes, absorvemos o mundo das cores. O verde das copas das árvores, o azul do céu, uma mescla de pinceladas nas paredes dos prédios, o dourado brilhante do sol.
Pusemos música a tocar, puxámos de um livro e logo de seguida de uma revista.
Ajustámos as almofadas e quisemos ver um filme. Faltava qualquer coisa!
Oh, não! Não eram as pipocas!
Algo mais sofisticado! Um gole de Vinho do Porto, ou champanhe servidos em vidro fino e cristalino.
Um brinde!
Porque não?
À “Casa Arrumada”!
Passeámo-nos descalços sentindo o chão, pousando os olhos aqui e ali, inexplicavelmente satisfeitos com os nossos bibelôs, a nossa decoração. Tinha sem dúvida a nossa cara, passando para o nosso interior uma serenidade e ao mesmo tempo uma alegria determinada e pronta para ficar.
E então rodopiámos languidamente num ritual de dança.
Apeteceu-nos sair, jantar fora, encontrar os amigos, ver o mundo… afinal tínhamos tempo! “A casa estava arrumada” e nada nem ninguém previam que se desarrumasse por si só.
O tempo foi passando sem grandes sobressaltos ou preocupações, com aquela sensação inicial de que se flutuava sobre uma nuvem branca, ou que nas nossas costas se haviam colado umas asas leves.
Novos desafios surgiram que prontamente abraçámos e abraçou-nos também a falta de tempo para tanta coisa em conjunto, coisas simples, naturais, mas importantes. Inevitavelmente o cansaço tocou-nos e trouxe-nos de regresso.
“A casa arrumada” esperou por nós, fiel e impávida, paciente, mas implacável!
Abrimos a porta e entrámos. A surpresa foi um choque.
Não queríamos acreditar no que os nossos sentidos nos diziam, no que os nossos corações sentiam.
Os móveis estavam cobertos de pó. No chão, ao mexer dos nossos passos, rolinhos de cotão voavam, mudando de sítio vitoriosos e os vidros agora baços de sujidade, impediam de entrar a luz do dia. No sofá as almofadas desalinhadas tornaram-se desbotadas, sem graça e os bibelôs desinteressantes.
Não! Aquela não era a nossa casa! Como podia ser? Não nos transmitia nada! Apenas e simplesmente nem vislumbres da decoração que fizera a nossa cara.
Saímos e voltámos a entrar cheios de ansiedade.
Não conseguíamos acreditar! Que teria acontecido?
Como foi que permitimos que pudesse suceder?
O dia perdia já, a luz, a cor.
Que trabalho inglório, este de “arrumar a casa”!
Nunca está feito, pronto, terminado.
É insaciável e sempre exigindo mais da nossa atenção.
É um constante refazer daquilo que já foi feito, cheio de contra-indicações e efeitos secundários que se devem observar cuidadosamente se queremos que “uma casa arrumada”
seja, efectivamente, a “nossa casa arrumada”, onde sensibilidade, harmonia, bem-estar, alegria e bom senso sejam os pontos cardeais que nos orientam e nos estimulam a continuar a viver numa franca, saudável, livre e cativante cumplicidade.
Não sei, não sabe ninguém, os caminhos do futuro que se nos abrirão à frente.
Apetece-me dar a este texto um segundo sentido.
Observá-lo do ponto de vista do sentido figurado e dar à “casa arrumada” o contexto de como podemos (nem sempre), contornar o nosso destino se tivermos a capacidade de saber ler, assimilar, confrontar e enfrentar as entrelinhas das contra-indicações e efeitos secundários que a vida nos coloca.
É preciso coragem para viver, mas viver é um bem precioso que jamais nos devíamos dar ao luxo de desperdiçar.
Mafalda, 11 de Março de 2012
Aperta-se-me o coração ver esse teu olhar azul, baço. Esse teu sorriso jovial, “envergonhado”. Esse teu rosto de barba de três dias, sombrio e ouvir na tua boca a palavra angústia.
Não foi nada disto que eu sonhei…
Meu Deus, como sinto saudades dos tempos em que a vossa felicidade dependia quase exclusivamente de mim.
E pronto as festas já acabaram há muito, e eu aqui paradinha no tempo, preguiçosa e mais uma vez deixando comentários por responder a pessoas de quem tanto gosto.
É por isso que hoje trago um presente delicioso que vos ofereço com o carinho que dá à vida sabor, alegria e aconchego, esperando que este ano e os próximos se consigam ultrapassar sem grandes convulsões, sobretudo com a "casa arrumada", onde se possam sentir verdadeiramente bem e sem preocupações.
Para vocês em particular e para todos em especial.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.
Afinal, a vida ,a felicidade e paz são caminhos e não destinos....
"Adeus Ano Velho
Feliz Ano Novo
Que tudo se realize
No ano que vai nascer.
Muito dinheiro no bolso
Saúde para dar e vender.
Para os solteiros sorte no amor
Nenhuma esperança perdida.
Para os casados nenhuma briga
Paz e sossego na vida."
...
De mim para vocês... para todos, um Bom Ano de 2012
Que o passarinho seja portador de votos de um Natal com alegria e amor, uma mesa farta no aconchego da família, um sorriso partilhado dos amigos, e que no olhar de cada um, haja muita luz reflexo do coração.
Entre papeis coloridos e laços não desfeitos, alguns presentinhos, recordando que para tudo isto, precisamos de paz e saúde.
PARA TODOS UM BOM NATAL

A noite já se fechou e tu espreitas-me através da janela, atrevida, curiosa.
És provocante, sabias?
Desafias-me para ir ter contigo e partir numa viagem inesquecível.
Bem sabes que não posso!
E quando te olho com despeito, parece-me que sorris trocista.
Ficas tão sedutora nessa tua forma de círculo perfeito, nessa tua pele cor de pérola.
Eu abandono-me e rendo-me ao êxtase de apenas te admirar.
Enquanto isso, despedes-te, vais-te afastando e deixas-me só.
Arrastas contigo uns rasgos de nuvens ávidos da tua luz.
São dezanove horas e dez minutos.
Foi curta a visita, mas deu-me alento com tanta beleza.
Obrigada Lua Cheia por espreitares à minha janela.
Mafalda, 11 de Dezembro de 2011

No silêncio da noite sonolenta, escutava o ressoar dos seus passos cadenciados, leves.
Caminhava sem pressa, sem destino, sem rumo, apenas para se sentir totalmente inteiro nos seus pensamentos que o transportavam a prazeres poucas vezes sentidos.
Deixou-se guiar pelas luzes dos candeeiros antigos e cansados.
Voou pelas asas da imaginação, pintou de cores portas fechadas e janelas escuras.
Deambulou por entre ruas e vielas contornando casas que as estreitavam e ouviu dos telhados os murmúrios e os suspiros que se evaporavam.
Lembrou-se do fado, canção tão chorada de que não gostava.
Dos poetas que cantavam os amores e as tertúlias da noite boémia e que não lia.
E no turbilhão do silêncio ensurdecedor sentiu a vida que o chamava e o tempo que passava como o deslocar soprado do vento.
Quanta calma, mas quantos gritos calados no seu caminhar solitário.
E no entanto, sentia-se completo, livre, em casa, aconchegado.
Olhou as pedras da calçada, tão característica da sua cidade, que continuava a trilhar.
Tinham brilho próprio, polidas mas gastas por tantos passos desconhecidos que a pisavam.
Percebeu que aquelas pedras respiravam, contavam histórias e delas, milhares de rostos se desenhavam.
Transpiravam plenas de vida. De vidas passadas, ausentes, alheadas, presentes, de hoje, de ontem, salpicadas de lágrimas, semeadas de sorrisos.
Pulsavam a cada minuto decorrido.
A noite é mágica, tem destas coisas! Oferece-nos momentos quase perfeitos.
E foi então que se apaixonou por aquelas pedras da calçada.
Mafalda, 27 de Novembro de 2011
Com seiscentos mil macacos!
Onde está o Verão de S. Martinho?
Será que a crise também o atingiu?
Vai na volta soltou-se um imposto extraordinário sobre o sol!
Eu não dei conta, mas…
Ou então…
Ai que nem quero imaginar! Será que confiscaram a outra metade da capa ao pobre do S. Martinho?
É que isto em tempo de guerra não se limpam armas e tudo serve para… amealhar, claro!
Não, eu prefiro acreditar numa versão mais romântica e pensar que o próprio santo a ofereceu a outro dos muitos mendigos que por este território tem encontrado.
Tarefa difícil a sua, esta de escolher!
E as castanhas onde estão?
Lembrei-me agora que aquele pregão tão só nosso… “Quentes e boas”, também não o ouvi!
Pudera!
A quatro euros e trinta cêntimos o quilo quem é que as vai comprar?
É que todos nos lembramos da cara severa do Sr. Coelho a anunciar tempos difíceis.
Eu por aqui ouvi dizer que lá em casa, a Laurinha também não comprou.
Quem é a Laurinha?
Minha gente, que falta de cultura geral!
Até foi pergunta do concurso da RTP 1!
Eu e as minhas desconfianças! Já que esta estação de TV é estatal, será que houve por ali uma pequena influência? Afinal quem é que conhecia a senhora?
Também não tem importância Sr. Coelho, isso é coisa de pouca monta!
O que interessa é que hoje é dia de comer castanhas.
E eu bem que me lembro, lá na terra do meu pai bem pertinho de Viseu, ouvir dizer “em dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho”.
Eu confesso a minha ignorância, mas nunca percebi muito bem este “ditado”!
Não é de tradição neste dia beber água-pé ou jeropiga? Então o porquê do vinho?
Com muita dificuldade, mas com muita devoção, eu lá comprei umas castanhas.
Cozi meia dúzia delas com a tradicional erva-doce e tenho outra meia dúzia a assar no forno com umas colherezinhas de manteiga. Ficam óptimas!
Já tenho a mesa posta para o meu jantar com uma velinha acesa para dar ambiente.
Uma taça pequena de alperces secos e outra maiorzinha de puré de maçã reineta.
Um prato com castanhas cozidas e outro com as acabadinhas de assar.
Quem disse que não combina?
Ah! Falta a manteiga!
O quê? Nunca experimentaram abrir uma castanha assada quentinha e pôr-lhe um pouco de manteiga?
É um manjar dos deuses!
Santo Deus! Falta-me a água-pé ou a jeropiga!
Não faz mal. Nada que não se resolva com meio copo de vinho tinto ou, porque não, um cálice de vinho do Porto.
E para o final já lá está também a caixinha de After Eight.
Hoje por cá, não há noticiários nem debates. Em vez disso o canal do myZen por onde costumo viajar e no leitor de CDs uma música suave mas sedutora.
O ambiente está completo e perfeito e eu sento-me à mesa… sozinha.
Ora, que importa isso?
Sempre ouvi dizer que quem não tem cão caça com gato e cá para mim, mais vale só que mal acompanhada.
Mafalda, 11 de Novembro de 2011
Este foi-me enviado por uma amiga.
Está fabuloso (na minha opinião)!
Obrigada Manu
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